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DOCUMENTÁRIO SOBRE A ILHA DE PAQUETÁ

Produzido e autorizado a exibição pela Jornalista Vânia Barbosa e sua equipe.


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MOTIVOS  PARA  VISITAR  PAQUETÁ
A ilha conserva o clima de tranquilidade e oferece programas
culturais a 
uma hora de viagem da Praça XV

01 - Ilha de Paquetá
paqueta
Uma volta ao Rio de Janeiro do início do século XIX. Assim pode ser descrita a viagem até a Ilha de Paquetá, distante apenas uma hora do Centro do Rio. São 455 anos de história desde que a ilha foi refúgio de Dom João VI e abrigou o patriarca da independência, José Bonifácio. Com seu casarão centenário, suas ruas de terra e pouquíssimos veículos motorizados, o bairro mais bucólico da cidade investe em atrações culturais para atrair visitantes, sem deixar de lado o clima de cidade do interior.



02 - Como Chegar na Ilha de Paquetá
passado   ontem
hoje   aerobarco

O passeio até Paquetá começa na Praça XV e é realizado nas tradicionais barcas, em viagens de cerca de 70 minutos nas barcas tradicionais e 35 minutos nas modernas barcas catamaram. São aproximadamente 15 km de travessia marítima, com o fantástico visual da Baía de Guanabara: Ilha Fiscal, Ponte Rio/Niterói, Ilha do Sol, Jurubaíbas e etc...



03 - Praça Pedro Bruno
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Pedro Paulo Bruno nasceu em Paquetá em 14 de outubro de 1888 e desencarnou em 2 de fevereiro de 1949. Foi um pintor, cantor, poeta e paisagista brasileiro. Sua obra mais conhecida é o quadro Pátria, de 1918, que retrata a bandeira do Brasil sendo bordada no seio de uma família. Ao descer da barca em Paquetá, essa praça é seu primeiro contato com a ilha.



04 - Parque Darke de Mattos
entrada         parque

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A área verde à beira-mar oferece vista extraordinária do Rio. De lá, é possível ver Niterói, o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor e o Maciço da Tijuca. O melhor é aproveitar a sombra das árvores para caminhar. Ou sentar em um dos bancos e relaxar ouvindo apenas o barulho das ondas ou dos passaros. Do mirante que fica no morro da Cruz, pode se ver uma uma linda paisagem com diversos tuneis de acesso. Abaicho do morro também tem tunel como se pode ver nas fotos a cima.



05 - Praia José Bonifácio
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Também conhecida como Praia da Guarda ou Praia dos Pedalinhos. É a mais movimentada da ilha em dias de verão. Seu nome oficial é uma homenagem ao importante personagem de nossa historia, José Bonifacil que depois de abandonar a vida politica passou o restante de seus dias numa casa nesta praia.  



06 - Casa de José Bonifácio
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A casa onde José Bonifácio de Andrada e Silva - o patriarca da Independência do Brasil - passou os últimos anos de sua vida.



07 - Ponte da Saudade e Pedra dos Desejos.
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Desenvolveu-se uma das mais bonitas lendas de Paquetá, que nos foi contada por um preto-velho que viveu aqui durante toda a sua vida e que nos disse que a ouviu do seu avô, antigo escravo em nossa Ilha.

"Tudo aconteceu no tempo em que os escravos desembarcavam nesse cais, vindos de Brocoió, onde ficavam em quarentena antes de entrar em contato com a população de Paquetá... e é por essa razão que o cenário dessa estória tem como palco essa velha ponta-de-cais. CONTINUE LENDO NO RODAPÉ.




08 - Maria Gorda (Baobá)
gorda      jatoba
A Maria Gorda é um Baobá - uma árvore que existe na Praia dos Tamoios, quase na esquina do Vicente. Ela é oriunda das savanas da África, e também existe em quantidade no esteróide B612 de "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry... Ela é muito conhecida por aqui, não só por ser a maior representante do nosso reino vegetal e pela beleza das formas e das flores, mas também pela lenda que em torno dela se desenvolveu.



09 - Casa de Artes
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Na primeira metade do século passado, a chácara onde hoje se localiza a Casa de Artes  Paquetá foi adquirida por Ormy Toledo. Além de promover amplas reformas paisagísticas no local, ela foi responsável pelas novas preciosidades arquitetônicas ali construídas, como o Gaudi e o Pagode Chinês. CONTINUE LENDO NO RODAPÉ.


10 - Igrejas na Ilha
bom             roque

Igreja Bom Jesus do Monte em Paquetá

Construida em 1763 por Manoel Cardoso Ramos esteve subordinada ainda como capela a Igreja N. S. da Piedade em Mage ate quem em 1810 foi oficializada como Igreja Matriz da Freguesia de Paquetá.

 Até 1875 todos os sepultamentos da ilha eram feitos no antigo cemiterio do bom Jesus, necrópole que era só de catacumbas e que ficava ao lado da capela do mesmo nome, mas os restos mortais do fundador da Igreja, estão enterrados atualmente em uma sepultura especial no atrio da igreja. 

O prédio atual no estilo neogotico foi construido em 1900.

As colunas de Madeira e todo madeiramento de sustenção do telhado da nave, assemelha-se na forma, com um casco de navio invertido...


Igreja de Sâo Roque

Esse templo foi dedicado a São Roque pelo Padre Manoel Antônio Espinha, que conseguiu em Lisboa, em 29 de dezembro de 1697, a necessária provisão para a sua fundação.

Supõe-se tenha esse templo sido construído por Inácio de Bulhões, primeiro proprietário de um lote de terras situado no norte da ilha, e que aqui chegara de Portugal, com Estácio de Sá, ou pelos que o sucederam na posse da terra.


11 - Praia dos Tamoios
canhao         ca    
Paquetá, a aprazível e romântica ilha da Baía de Guanabara, cognominada por Dom João VI, de “Ilha dos Amores”, procurada ainda hoje pelos namorados, trovadores e artistas que se extasiam ante a enternecedora poesia que oferece aquele recanto magnífico de praias alvas e altos coqueiros.



12 - Casa da Moreninha
Moreninha
Em 1843, Joaquim Manuel de Macedo escreveu o romance "A Moreninha", que é considerado o iniciador do "romantismo" na literatura brasileira. O livro se tornou um grande sucesso e muitos acreditam que a estória poderia ser real, ter realmente acontecido na Ilha de Paquetá, o que a tornou nacionalmente conhecida. Posteriormente a Rede Globo adaptou o romance e fez uma novela: A Moreninha gravada na Ilha de Paquetá. A cima a fota da casa onde se passou a trama.



13 - Pedra da Moreninha e Praia da Moreninha 
pedra       praia      
Esta praia que já foi chamada praia de Itanhangá, assim como o mirante ou Predra da Morenhinha também já foi chamado de Pedra do Itanhangá. Está praia, mostrada na foto acima, passou a levar este nome em referência ao famoso romance.


14 - Meios de Transporte na Ilha
charrete   passado    presente

bike   trem   alug
A primeira e segunda foto é da nossa saldosa charrete,a primeira ainda com rodas de madeira e a segunda já com rodas automotivas, tirada de circulacão pelo prefeito em 2016 e indrotroduzido o moderno carrinho eletrico.
Depois temos os Eco-Taxi, o trenzinho e podemos alugar bicicletas diversas para passeios solos.



15 - Cemitério dos Passaros
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Único no Brasil, o cemitério de passarinhos e aves em geral fica na Rua Joaquim Manoel de Macedo, assim batizada em homenagem ao autor de ‘A Moreninha’, romance pioneiro do Romantismo brasileiro no século XIX.



16 - Hotel Farol
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A Ilha é repleta de hoteis e pousadas. Na duvida preencha o formulário em contatos que teremos o maior prazer em ajudar.



17 - Outros Pontos Turisticos: O Poço na Praça São Roque, o Preventório
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Localizado na praça de São Roque

O poço foi aberto, inicialmente, para abastecer a Fazenda São Roque e, mais tarde, toda a região do Campo, pela fartura e qualidade de suas águas.




prev

O Preventório Rainha Dona Amélia, na Ilha de Paquetá, foi inaugurado em 24 de maio de 1927, com o objetivo de isolar os filhos de portadores de tuberculose, crianças que não estavam doentes, mas viviam em más condições de higiene e com desnutrição. Deixou de ser uma unidade de isolamento com a introdução dos antibióticos na terapêutica, mas manteve a essência de seu objetivo: dar assistência a crianças em situação de vulnerabilidade e risco social.






18 - Casa Espírita Ilha de Paquetá - CEIP:

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Rua Coelho Rodrigues, 48 Fundos - Ilha de Paquetá




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19 - História da Ilha de Paquetá
Atribui-se ao cosmógrafo francês André Thevet, integrante da expedição de Nicolas Durand de Villegagnon, a descoberta da ilha pelos europeus, ainda em 1555, quando da fundação da chamada França Antártica. Na época, a ilha era habitada pelos índios tamoios, também chamados tupinambás, os quais se aliaram aos franceses contra os colonizadores portugueses. Na ilha, houve uma importante batalha da guerra entre tupinambás e franceses, de um lado, e portugueses e índios temiminós, de outro. Na batalha, morreu o grande líder tupinambá Guaixará.
No contexto da campanha para a expulsão definitiva dos franceses pelas forças portuguesas comandadas por Estácio de Sá e da fundação da cidade do Rio de Janeiro em 1565, nesse mesmo ano a ilha de Paquetá foi doada, sob a forma de duas sesmarias, a dois dos capitães portugueses: a parte norte da ilha, atual bairro do Campo, coube a Inácio de Bulhões, e a parte sul, atual bairro da Ponte, a Fernão Valdez..
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O século XVIII
A parte sul da ilha teve uma colonização mais acelerada em comparação com a parte norte, onde, em sua maior parte, se constituiu a Fazenda São Roque, dedicada à agricultura e à pecuária. Foi nas terras da São Roque que se ergueu, em 1697, a primeira capela da ilha, a Capela de São Roque, padroeiro de Paquetá.
Posteriormente, em 1763, foi iniciada a primitiva Capela do Senhor Bom Jesus do Monte da Ilha de Paquetá com a condição de que se constituísse em uma Paróquia local. Em 1769, Paquetá foi desvinculada da Freguesia de Magé, o que deu lugar, além dos protestos eclesiásticos de Magé pelas suas perdas, a rivalidades na própria ilha para a escolha da Igreja Matriz, se a Capela de São Roque ou a do Bom Jesus. Em 1771, no entanto, esse ato foi anulado e Paquetá voltou a ser integrada a Magé.
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O século XIX
No contexto da presença da Família Real Portuguesa no Brasil, um alvará especial do príncipe-regente dom João criou a Freguesia do Senhor Bom Jesus do Monte.
No Período Regencial, em 1833, por decreto regencial, a ilha de Paquetá tornou-se independente de Magé e passou a pertencer ao Município da Corte.
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O século XX
Em 1903, os distritos da ilha de Paquetá e da ilha do Governador foram unidos no Distrito das Ilhas, incorporando as ilhas e ilhotas ao redor de ambas.
Em 1961, o estado da Guanabara criou o Distrito Administrativo de Paquetá e, em 1975, com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a ilha passou a pertencer à cidade do Rio de Janeiro.
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Aspectos do desenvolvimento econômico.
Tradicionalmente, a ilha constituiu-se em um polo abastecedor da cidade do Rio de Janeiro, com os produtos oriundos, principalmente, da Fazenda São Roque. A coleta de mariscos e a atividade de pesca também foram importantes no período colonial e após. A partir do século XVII, começou a se desenvolver na ilha uma pequena atividade de construção naval, paralelamente à exploração de pedras e de cal para a construção civil na cidade. A atividade de fabricação de cal era facilitada pela abundância de conchas como matéria-prima e de madeira oriunda dos manguezais, utilizada como combustível nos fornos.
A ocupação da ilha adensou-se a partir das freqüentes visitas de Dom João VI, do estabelecimento de uma linha regular de barcas, a partir de 1838, e, principalmente, através da divulgação obtida através do romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844, que se tornou um best-seller na corte, à época. Isso permitiu o aumento de visitantes, atraídos ainda pela devoção a São Roque, assumindo a ilha a feição de polo turístico que, gradualmente, se impôs, passando a ser a principal atividade da ilha, função que conserva até aos nossos dias.
Atualmente, os visitantes contam, além das praias e pedras, com passeios de charrete (carrinhos elétricos) e de bicicleta e com as visitas ao solar que hospedou Dom João, à casa de José Bonifácio de Andrada e Silva, e à Casa de Cultura, instalados em um prédio de estilo eclético, recém-reformado.
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Saneamento
A ilha não dispunha de fontes naturais de água potável e desse modo, os seus moradores recorriam ao uso de poços para solucionar a demanda de abastecimento. O poço de São Roque era, à época, o mais utilizado pela qualidade de suas águas, o que envolveu o seu nome em uma série de lendas locais.
Em 1908, foi inaugurado o sistema de captação de águas do Alto Suruí, no município de Magé, e a sua adução por dutos submarinos até a ilha, na ponta do Lameirão.
Mais tarde, foi necessária a construção de uma estação elevatória na ponta do Lameirão para conduzir as águas até o reservatório no alto do morro do Marechal, de onde eram distribuídas por gravidade para as diversas partes da ilha.
Atualmente, o serviço é prestado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, sendo o abastecimento oriundo do Sistema Imuna-Laranjal.
O sistema de coleta e tratamento de esgotos em Paquetá foi um dos pioneiros no país, tendo sido concluído em 1912 pela Companhia City Improvements, empresa de capital britânico, concessionária da exploração desses serviços no Rio de Janeiro. Parte desta histórica estação de tratamento ainda é preservada, na sede da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro na ilha.
A iluminação das ruas, assim como o serviço de distribuição de eletricidade às residências foi inaugurado em 1918 pela Rio-Light. A energia era oriunda da ilha do Governador, através de cabos submarinos, ligados a uma sub-estação na praia da Guarda.
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População
A população e freqüência da ilha são extremamente sazonais..
A ilha conta com 4 500 moradores fixos que, em sua maioria, trabalham e estudam na cidade do Rio de Janeiro, ou em sua região metropolitana. Parte dos empregos existentes na ilha são no setor público, em órgãos como a Comlurb, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, a Fundação Parques e Jardins, escolas e outros. O restante encontra-se em atividades voltadas ao turismo, como hotéis, bares, restaurantes e outros.
À população fixa, somam-se os veranistas que têm casa na ilha e que vêm com a família nos finais de semana ou férias. Avalia-se que, pelo menos, 50 por cento dos domicílios da ilha sejam de veranistas. São aproximadamente 2 200 domicílios (entre moradores e veranistas), distribuídos em quarenta ruas, doze praças e dois parques públicos.



Ponte da Saudade

Desenvolveu-se uma das mais bonitas lendas de Paquetá, que nos foi contada por um preto-velho que viveu aqui durante toda a sua vida e que nos disse que a ouviu do seu avô, antigo escravo em nossa Ilha.

"Tudo aconteceu no tempo em que os escravos desembarcavam nesse cais, vindos de Brocoió, onde ficavam em quarentena antes de entrar em contato com a população de Paquetá... e é por essa razão que o cenário dessa estória tem como palco essa velha ponta-de-cais.

O seu personagem principal foi um preto muito forte e muito triste, chamado pelos outros negros de João Saudade e pelos seus feitores de João da Nação Benguella (1).

O seu nome criou fama nas senzalas e , na prosa dos mais velhos , foi um mito: falado e venerado por toda a gente escrava ...

João da Nação Benguella, no tempo dos mil réis, foi vendido aqui por 400$000, avaliados pela força e robustez da exuberância muscular do seu contorno ...

Dizem que veio da Àfrica num dos navios negreiros de Francisco Gonçalves da Fonseca, o dono do Solar D'El Rei ...(2) e, como era costume, depois da quarentena em Brocoió, veio para cá numa falua (3) que uma vez por semana encostava nesse cais daPraia das Pedreiras (4).

Com muita resignação, João obedeceu ao costumeiro ritual, porque no seu peito não havia mais lugar nem para ódios enem para revoltas, porque já estava todo cheio de um outro sentimento: a enorme saudade que lhe fazia sofrer por Januária, e lhe fazia viver pelo amor de Loreano, um pretinho rechonchudo, filho deles dois.

João Saudade não podia imaginar o que fora feito deles ... Quando foi capturado, não houve tempo nem para um abraço e nem para um "adeus" ...

Passavam-se os anos lentamente e João passava os anos rezando pelo amor daqueles dois. No mais íntimo de si havia uma certeza estranha: uma esperança que lhe dava fé ... E ele acreditava com convicção que a falange de Iemanjá, que o trouxera sôbre as ondas, também traria os seus dois amores que, um dia, ele esperava ver também chegando naquela "ponte", depois de alguma quarentena em Brocoió ...Algo lhe dizia que o destino havia reservado um reencontro para eles... e era por ele que João rezava todos os dias para os seus "Guias" e esperava ali a cada desembarque.

Passavam-se os anos ... e cada ano que passava parecia ser mais longo ... mas, nenhum, maior do que a perseverança de João "Benguella", que durante os dias trabalhava nas caieiras e à noite rezava naquela ponta-de-cais ... Falava com a Lua e com as estrelas ... Molhava os pés cansados nas águas calmas do mar ... e lavava todas as suas mágoas nas gotas do sereno ... Só quando ouvia o pio das primeiras aves despertadas é que parava de falar com a Estrela D'Alva e, então, olhava pr'o Céu ... despedia-se da noite já passada ... dava um bom-dia para a madrugada ... e voltava, devagar e triste, para as tristezas da senzala ...Todos os dias João chegava cabisbaixo... cansado de rezar em vão por encontrar um lenitivo para a dor desta saudade que, amargurando a sua alma, minava a resistência do seu coração, transbordando-lhe nos olhos, refletida em cada lágrima...

                                                                    ( 1 )

João não era apenas um escravo triste ... Para alguns dos velhos, era a própria encarnação humana da Saudade ...

E o tempo passava como de costume, no correr dos anos:  João, sua saudade, os desembarques e a velha ponta-de-cais ... Mas eis que um dia, João não regressou com os passarinhos ... e os escravos, na senzala, deram falta dele mas, em vão, o procuraram ...

O desaparecimento de João "Saudade" aconteceu na manhã seguinte de uma 6ª feira em que a rotina da noite foi quebrada por um fato de espanto e de mistério pois, talvez por dois minutos ou um pouco mais, um clarão estranho transformou a noite em dia, sem que ninguém soubesse explicar o por quê ! ... Apenas viram surgir no céu uma estrela muito grande e muito bela, e os seus raios de luz, iluminando a noite, encheram a Ponte da saudade de um clarão de prata, que foi visto por todos na senzala... E quando o clarão se apagou, João Saudade, que rezava no cais, havia desaparecido também, juntamente com a estrela brilhante e os seus raios de luz ...

Ninguém  jamais soube explicar o que aconteceu àquela estrela e a João Saudade que, desde aquela noite, desapareceu misteriosamente ...

Tornou-se crença dos escravos que aquela estrela foi a falange iluminada de Iemanjá que, pela força da saudade de João "Benguella", teve permissão do Astral para vir buscá-lo, pondo fim ao sofrimento do seu Banzo (5) :  saudade imensa pela qual viveu e pela qual sempre pediu p'ra ir embora ...

E o cais onde João ficava passou então a ser chamado de "Ponte da Saudade", transformando-se em local de rezas e de rituais dos negros, na esperançade que umdia, pela força da fé, eles também fossem levados por alguma estrela ...

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  1. – Os escravos eram classificados pelas suas nações de origem: Benguella, Cabinda, Mina, Moçambique, etc ...
  2. – Nome que recebeu o prédio após haver hospedado por várias vêzes D.João VI e sua Corte.
  3. – Tipo de embarcação comumente usada nas caieiras.
  4. – Era o nome de uma antiga praia situada entre a praia "da Guarda" e a praia "Comprida", conforme comprovam escrituras do século XIX.
  5. – Tristeza profunda que acometia os negros escravizados.

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PS – Texto original do livro LENDAS DE PAQUETÁ, 2ª Edição; R.J.;Gráfica JRB; de Marcelo A. L. Cardoso.


Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/a-ponte-da-saudade/2765/#ixzz4A8bpBw00



Casa de Artes

Na primeira metade do século passado, a chácara onde hoje se localiza a Casa de Artes  Paquetá foi adquirida por Ormy Toledo. Além de promover amplas reformas paisagísticas no local, ela foi responsável pelas novas preciosidades arquitetônicas ali construídas, como o Gaudi e o Pagode Chinês. 

Dona Ormy era uma empreendedora cultural e via Paquetá como a Ilha das Artes, acreditando em um projeto turístico voltado para eventos artísticos/musicais. A Chácara da Ormy fazia parte desse projeto e nela aconteciam grandes saraus com os principais músicos do Brasil. Pixinguinha, Orestes Barbosa, Lamartine Babo, Sílvio Caldas, Radamés Gnatalli eram hóspedes e frequentadores desses encontros regulares, que contavam ainda com a presença da elite política e intelectual da capital Rio de Janeiro. 

Este projeto incluía também a criação de um complexo turístico e a construção de um hotel na chácara  para atender aos visitantes.  

A beleza natural e arquitetônica do local permitiu que a chácara fosse usada como cenário e locação para diversas filmagens, destacando-se a novela e o filme A Moreninha, baseados no romance homônimo de Joaquim Manoel de Macedo. 

No início da década de 90 a chácara é vendida e parte dela comprada pelos atuais proprietários.


Igreja de Sâo Roque

Esse templo foi dedicado a São Roque pelo Padre Manoel Antônio Espinha, que conseguiu em Lisboa, em 29 de dezembro de 1697, a necessária provisão para a sua fundação.

Supõe-se tenha esse templo sido construído por Inácio de Bulhões, primeiro proprietário de um lote de terras situado no norte da ilha, e que aqui chegara de Portugal, com Estácio de Sá, ou pelos que o sucederam na posse da terra.

A princípio era uma pequena capela particular, fazendo parte do terreno que logo foi transformado em fazenda.
Pouco se conhece acerca da Capela de São Roque até o ano de 1728, quando lhe foi concedida pelo Bispo Dom Antônio de Guadalupe, permissão para ter pia batismal e ministrar a extrema-unção, e isto porque a ilha se achava situada há aproximadamente três léguas de Magé, no continente, de cuja paróquia, fazia parte. De fato era por demais penoso atravessar o mar em tão larga extensão a fim dos habitantes de Paquetá – já em apreciável número poderem ser beneficiados com os recursos da religião.

Em 23 de março de 1833, Paquetá, por decreto imperial, foi desmembrada da freguesia de Magé, passando para o município da Corte.

A capela, naquela época, tinha somente um altar e nele se venerava a imagem de São Roque. Segundo diz Moreira de Azevedo, em seu livro “O Rio de Janeiro”, o templo era dividido em três partes – a capela-mor, em cujo altar estava o padroeiro, a nave, onde a família dos fazendeiros e os seus convidados assistiam aos cultos religiosos e, próximo da porta, em recinto ladrilhado e separado, do centro da nave por uma grade, o local destinado aos escravos que, como os brancos – embora em sítios distintos e em condição inferior… também eram filhos de Deus.

O coro era localizado por cima da porta principal e em frente ao trono do santo, e para o qual se subia por uma estreita escada construída por fora do templo passando-se por uma porta. Acima levantava-se uma pequena torre.

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No ano de 1822, a fazenda passava a novo dono. Era ele o Capitão José Joaquim Pinto Serqueira, fabricante de cal na Ilha de Brocoió, nas imediações de Paquetá. Progredindo nos seus negócios, trabalhador que era, conseguiu amealhar regular fortuna, e logo cuidou de mandar trazer de Portugal a família que lá havia deixado.

Algum tempo mais tarde adquiriu a fazenda de São Roque, então propriedade da Sra. Maria Florência Gordilho, na qual se incluía a capela.

Falecendo José Joaquim Pinto Serqueira, em 2 de maio de 1848, tocou a capela ao seu filho de nome Pedro José Pinto Serqueira, que logo deu início a uma grande reforma no templo, tendo sido o seu primeiro cuidado – humano que era, levantar a grade que separava os brancos dos escravos, e assoalhar toda a nave.

Antes de 1876, ano em que faleceu Pedro José Pinto Serqueira, a capela possuía mais dois altares laterais. Num deles estava exposta Nossa Senhora das Dores, imagem magnífica, vinda de Portugal; esse altar foi construído em homenagem à Virgem por se ter salvo da morte uma filha de Pedro José. No outro altar estava São Sebastião, igualmente por motivo de promessa feita por uma senhora enferma, e que em Paquetá se restabelecera, atribuindo a sua salvação a milagre do santo.

Por morte de Pedro José a 13 de outubro de 1876, a propriedade da capela coube à Sra. Adelaide Adelina Serqueira de Alambari Luz, que falecendo em 1 de outubro de 1897, passou a sua posse ao arcebispado do Rio de Janeiro, conforme consta do documento abaixo:

– “Eu, abaixo firmado, no pleno goso do direito que me é assegurado pela sentença do Tribunal Civil e Criminal de 25 de Abril do anno proximo preterito de 1901, nos autos do inventario dos bens deixados por minha fallecida mulher D. Adelaide Adelina Serqueira de Alambary Luz, mandando lançar à minha meação a capella de S. Roque, em cuja pósse nesta ilha me acho há mais de um quarto de seculo (primitivamente como cabeça de casal, depois como proprietário); attendendo a que maior lustre e merecimento assumirá o culto do referido e venerado Sancto, estando o seu pequeno e velho templo sob a immediata administração das altas autoridades ecclesíasticas, e ao mesmo tempo accedendo às instantes solicitações de meus filhos, que de egual modo pensam acerca de tão elevado assumpto, – resolvi muito voluntariamente, e sem a menor insinuação de pessôa extranha à minha familia ceder, como de facto cedo, com todos os meus direitos sobre a mesma capella de S. Roque ao Arcebispado do Rio de Janeiro, hoje sob o paternal governo do muito digno e Illustrado Exmo. e Revdmo. Sr. Arcebispo D. Joaquim Arcoverde, transferindo para as benignas mãos de Sua Excellencia Revdma. não só a sobredita capella, como tudo quanto a eIla pertence. E para que produza todos os effeitos legaes, escrevo do meu próprio punho esta irretractavel declaração, que é por mim assignada e pelos meus dois filhos Adelina e Pedro, meus unico legítimos herdeiros. Ilha de Paquetá, 17 de Agosto de 1902 – José Carlos d’Alambary Luz – Adelina Verginia Serqueira d’Alambary Luz – Pedro d’Alambary Luz”.

Pouco depois do Arcebispado ter sido empossado na propriedade, foi a capela demolida. Hoje, no mesmo local se ergue um novo templo, mais amplo, porém com apenas ligeiras modificações quanto ao seu aspecto interno e externo.

Durante o tempo que durou a construção da atual igreja as imagens, do orago e as de Nossa Senhora das Dores e São Sebastião, foram guardadas na Igreja do Bom Jesus do Monte, Matriz de Paquetá, situada na parte sul, bem em frente à estação das barcas que estabelecem a ligação entre a ilha e o Rio de Janeiro.

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A festa de São Roque é tradicional na ilha de Paquetá. A 16 de agosto de cada ano, há ali imponentes comemorações.

Antigamente, no entanto, tais festejos tinham maior retumbância, atraindo povo de todas as partes, quer da capital, quer das cidades e povoações do Estado do Rio de Janeiro. Numerosos barcos, faluas, saveiros e até pequenos vapores transportavam devotos e curiosos para a grande solenidade. Era gente que chegava de Petrópolis, de Niterói, de Magé, de Mauá, do Rio de Janeiro, e até de Teresópolis, empolgada pelo tradicional esplendor das comemorações. Havia passeios a cavalo, fados chorados à guitarra, leilão de prendas, barraquinhas com doces e frutas, e terminava com a queima de fogos de artifício, que deslumbravam os habitantes da pacata ilha e os forasteiros.

O próprio rei Dom João VI e os seus ministros, muitas vezes rumaram para Paquetá para vivar o padroeiro. O soberano era recebido na casa solarenga de Francisco Gonçalves da Fonseca, oficial de Milícias, situada na Rua dos Muros. E ali passava Dom João VI, longe das intrigas da corte, até que voltava, pesaroso, ao seu palácio no Rio de Janeiro, depois de alguns dias de permanência no poético rincão da Guanabara.

Contam até que, certa vez, o rei esteve na capela de São Roque, cumprindo um voto que fizera ao santo, por se ter curado de dolorosa ferida que lhe aparecera em uma das pernas, em consequência de picada de traiçoeiro carrapato, que não respeitara o seu sangue azul. Vários médicos foram chamados; no entanto, só a intervenção de São Roque (segundo ele proclamava), lograra restabelecê-lo.

Posteriormente, Dom Pedro I, já imperador, José Bonifácio, Evaristo da Veiga, vários regentes do império depois da abdicação, compareceram também à festa de São Roque, levando ao povo da ilha o seu testemunho de fé nos milagres do mártir.

Na sala contígua à capela as “promessas” de cera eram em tão avultado número, que, por falta de espaço para guardar a todas, as mais antigas eram convertidas em velas para alumiar o santo.

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Não podemos deixar de assinalar nesta crônica os relevantes serviços prestados pela antiga capela de São Roque, durante a rebelião da Armada em 1893. No seu seio recebeu os corpos mutilados dos marinheiros e oficiais inferiores, mortos no embate político.

Como se sabe, Paquetá era a base de operações dos revoltosos chefiados pelo Almirante Custódio José de Melo contra o governo do Marechal Floriano Peixoto.

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Nos primeiros anos do século atual a capela foi demolida, para em seu lugar ser edificada a que hoje ali se encontra, como uma relíquia amada pelo povo da ilha.

Em 1905, foi iniciada a construção durante o tempo que exercia a função de Vigário da freguesia o Padre Juvenal Madeiro. Falecendo esse pastor, ficaram por algum tempo paralisadas as obras, até que em 1910, o seu sucessor, Padre Pouton, resolveu dar incremento à realização, encarregando desse serviço o arquiteto Miguel Bruno, que procurou manter as mesmas linhas da antiga capela, imprimindo na sua planta o estilo jônico, revelado nas colunatas que ornam o seufrontispício. Ao lado direito levanta-se pequena torre, como a que existia, ligeiramente modificada no seu pináculo.

Tem somente uma porta na frente, duas no oitão esquerdo, e igual número de janelas gradeadas do mesmo lado.

No interior o piso que é todo ladrilhado, e o teto apresentando caprichoso desenho realizado em estuque, há apenas o altar do presbitério, onde se venera a velha imagem de São Roque. Na parede que fica atrás está um belo quadro de grandes dimensões, executado há cerca de dez anos por Pedro Bruno, exímio pintor, filho de Paquetá. Esse quadro representa o Padroeiro da ilha, com o seu indefectível cão, símbolo de fidelidade. A vista que serve de fundo a essa pintura é o recanto onde está a capela, com aquele poço lendário, que a Prefeitura mandou cobrir, ensombrado pelas acácias da Praça de São Roque. O trabalho rico em imaginação e primoroso na execução, foi doado ao templo pelo seu autor.

Aos lados do altar, mais à frente, estão sobre colunas, as imagens de Santa Terezinha e Sagrado Coração de Jesus.

Nas paredes laterais da nave, há dois nichos. No da direita está colocada a imagem de São Sebastião, cabendo à Nossa Senhora das Dores o lugar no segundo nicho. Há também, logo à entrada, à esquerda, Nossa Senhora da Penha. São essas, as únicas imagens que existem no tradicional santuário de São Roque.

A construção do atual templo foi concluída em 5 de setembro de 1911.

Em frente à capela ainda há hoje a base do cruzeiro de madeira que indicava a existência ali de um cemitério. A grande cruz desapareceu, mas o seu vestígio lá permanece como uma recordação piedosa dos dias idos.

(Augusto Maurício em Templos Históricos do Rio de Janeiro)



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